Um belo texto de Maria João Teles. Leitura obrigatória para todos.
(...) Por isso, fiquei muito surpreendida quando, esta manhã, acordei com uma vontade intensa de procurar o endereço do meu blog ( até me esqueço dele!) e desabafar. Desabafar porque a tristeza que tem tomado conta de mim, nos últimos tempos, já não se contenta em ser verbalizada com alguns colegas de trabalho (poucos!) que, infelizmente, vão partilhando estes sentimentos de desalento e angústia. Desabafar porque estou a sentir-me inútil, enxovalhada, descartável e uma peça partida de um jogo de xadrez qualquer, jogado por aprendizes dessa arte ancestral e que requer tanto inteligência como habilidade. Ou será que se tratam antes de foliões que, num pub rasca qualquer, vão atirando dardos a um alvo para passarem o tempo? Desabafar porque, quando me perguntam qual é a minha profissão, eu já não sei se devo responder orgulhosamente "Sou professora!" ou, em vez disso, "Faço parte de uma companhia circense e, conforme o dia, vou sendo a mulher-palhaço, contorcionista, malabarista, domadora de feras...Olhem! Acumulo funções!" Aproximam-se a passos largos os meus quarenta e três anos. Desde os seis que estou ligada ao ensino. Nunca cheguei a sair da escola. Fui aluna e depois professora. Comecei a leccionar ainda como estudante universitária e esta profissão faz parte de mim como a minha pele. No entanto, hoje sinto-me como uma cobra: com uma urgente necessidade de a mudar e arranjar uma nova. Pela primeira vez, questiono a sabedoria da escolha que fiz relativamente à minha profissão. Escolha consciente, diga-se em abono da verdade...a culpa foi toda minha, ninguém me obrigou e pessoas avisadas bem me alertaram. Mas, também existiam outras que pensavam de forma diferente. Relembro nomes de antigos professores... Daqueles que, por si só, já eram uma aula e não precisavam de recorrer a metodologias e estratégias inovadoras (já agora...se alguém souber de alguma que ainda não tenha sido tentada, não seja egoísta e partilhe-a comigo...eu já não consigo inventar mais!). Recordo como esses professores me incentivaram a seguir esta carreira-"Foste feita para ensinar, miúda! Vai em frente!"- e como um deles, quando o encontrei já bem velhote, comentou com um sorriso "Eu bem sabia! Sempre lá esteve o bichinho!" Que diriam, todos os meus professores que já partiram, sobre tanto decreto regulamentar que, em vagas sucessivas, vai transformando a nossa Escola e os seus professores num circo de muito má qualidade, cheio de artistas saturados, humilhados, mal pagos e fartos de trabalharem num trapézio sem rede? Sou regulada por um Ministério que espera que eu seja animadora cultural, psicóloga, socióloga, burocrata, legisladora, boa samaritana, mãe substituta... Espera-se que tenha doses industriais de paciência e boa vontade, que me permitam aguentar a falta de educação de meninos mal formados, de meninos dos papás, de meninos que estão na escola apenas porque não têm ainda idade para trabalhar (porque bom corpo isso têm!), de meninos que estão na escola a enganar os pais, que até se deixam enganar por conveniência, de meninos que frequentam os Cursos de Educação e Formação e os Profissionais porque acham que é uma forma de fazer turismo com os livros debaixo do braço (desculpem, enganei-me...vou rectificar- "sem os livros debaixo do braço"), de meninos que vêm para a escola para não deixarem que outros meninos, estes últimos sim, com aspirações e provas dadas, possam seguir em frente até serem os homens que os primeiros nem sequer conseguem projectar mentalmente... Além disso, tenho reuniões: de departamento, de conselho de turma, de equipa pedagógica, de Assembleia de Escola (pois foi...também caí na patetice de aceitar presidir a este órgão...mais uma vez a culpa foi minha, pois pessoas avisadas bem me alertaram!), de grupos ad-hoc, de reuniões para decidir quando faremos mais reuniões... Tenho legislação para ler. Labirintos de artigos em que o próprio Minotauro marraria vez após vez num ataque de fúria! Um dédalo legislativo, no qual nem Teseu conseguiria encontrar a ponta do fio. Há papelada para preencher. Pautas dos profissionais, grelhas de observação para cada um dos alunos, registos das actividades de remediação... Não esquecer a reposição de aulas. As dos alunos que faltam por doença, por namoro, por jogo dos matraquilhos...desde que a justificação do Encarregado de Educação seja aceite, lá tenho eu de arranjar actividades de remediação para quem não quer ser remediado! Proibi a mim própria adoecer, visto que também tenho de repor essas aulas, mais as das greves, as das visitas de estudo dos alunos nas quais a minha disciplina não participa ( mesmo estando eu a cumprir o meu horário na escola...não faz mal, depois ofereço um bloco ou dois de noventa minutos gratuitamente!), as das minhas ausências em serviço oficial... A questão é saber quando e como vou repor essas aulas, dado que o meu horário e o dos alunos é incompatível durante os períodos lectivos! Claro que isso não faz mal: dou dias das minhas férias! Afinal, não consta por aí que os professores estão sempre a descansar? Tenho aulas para preparar. Testes e trabalhos para corrigir. Devo investir na minha formação. Quando? Como? Onde? E isto é a ponta de um rolo de lã que, bem aproveitadinho, dava uma camisola e pêras! Ou então uma camisa de onze varas! Fazendo o ponto da situação, sobra-me pouco tempo para aquilo que gosto realmente: ensinar. Pouco tempo para aquilo que me dá prazer: fazer circular o conhecimento. Pouco tempo para conseguir que esse conhecimento ocupe o espaço que, na maioria dos casos, é ocupado por uma crassa ignorância. Agora, dizem-me que vou ser avaliada ( tudo bem, não tenho nada contra o ser avaliada...talvez assim, com as novas emoções, eu descongele, pois há tanto tempo que estou no frigorífico laboral!), mas parece-me que vou voltar a uma espécie de estágio ainda pior do que aquele que enfrentei há dezassete anos atrás. Tenho receio que as escolas se transformem num circo ainda maior. Um circo de palhaços ricos e palhaços pobres. Um circo de compadrios e vingançazinhas pessoais. Um circo em que uma meia dúzia de artistas vai andar vestido de lantejoulas e seguido de cãezinhos amestrados, uma outra meia dúzia vai tornar-se perita na arte do contorcionismo, para evitar obstáculos, e a grande maioria da companhia vai ter de engolir fogo para o resto da vida profissional. Ah! Não posso esquecer que, se tudo correr de feição a este Ministério da Deseducação, até o senhor Zé da padaria vai poder presidir a um órgão de gestão das escolas. Esta não é a profissão para a qual eu me preparei anos a fio. Por isso, estou triste. Estou triste. E não escrevi sobre tudo a que tinha direito. E esta tristeza, para que eu a consiga despejar convenientemente, tem de ser escrita, gravada com letras...não me chega falar dela. Até porque, ultimamente, também já não me apetece falar.
Nota Já anteriormente publicado por Paulo Guinote em http://www.educar.blogspot.com/
E chegado hoje por mail de http://www.savebybell.blogspot.com/
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Testemunho
Escrevi no dia 26 de Fevereiro de 2007, aquando da publicação do diploma regulamentar para professor titular, que me sentia vazia, despojada da minha vida passada, porque, com esse “concurso”, e a abrangência do tempo de serviço que importava ( sete anos) tinha o Ministério da Educação apagado a minha vida profissional. Profissionalmente, não vivera.
Nada contava do que se passara nos anos anteriores ( vinte e cinco ou mais), nem a passagem pelo Conselho Directivo, nem pelo Conselho Pedagógico anos e anos como Delegate de Disciplina, nem como Director de Turma... Nem contava nonhuman actividade que dinamizáramos e em que colaborámos - outros trabalharam muito mais que eu - ( por exemplo, Visitas de Estudo, Feiras do Livro, Exposições, publicação do jornal, publicação de um livro de textos e poemas dos alunos - para o qual andei a pedinchar o dinheirinho de porta em porta como uma triste e "pobre de pedir"- Encontros com Escritores ( noutro dia, vi-me tão antiga que ainda me lembro de ver lá na Escola a Odette de Saint-Maurice !!!), o Dia do Francês com cantorias e danças e já nem me lembro do resto... Tudo fora do horário, evidentemente… Nem contava cada ano em que nem dera uma única falta ...
Quiseram pura e simplesmente apagar a minha vida profissional de uma penada... e, se calhar, como acreditavam que já andava muito motivada, ainda queriam humilhar-me mais e fazer-me crer a mim que nunca fizera nada e que não valia nada... mas estavam enganados, – escrevia eu - porque a minha consciência do trabalho com os meus alunos valia/vale(?) mais que um cargo estupidamente chamado titular e, embora me apetecesse chorar de raiva, não o ia fazer...
Andava eu estoicamente ( e não ando sozinha está bem de ver) a cumprir tanta burocracia e papelada em dias em que , por acaso lecciono noventa minutos de aula, elaborar planos disto e daquilo, relatórios deste e daquele plano, convocar os Pais e ficar com uma cópia da convocatória, convocá-los por telefone e registar esse passo por escrito, enviar informações, registar informações, verificar faltas, verificar se os alunos as justificam, elaborar sínteses disto e daquilo, arquivar todos os papéis sem falhar, precisava de um “guarda-livros” competente, chamar um aluno, verificar se ele come a sopa na cantina , se vai ao Apoio Directo, afinal a direcção do pai está ultrapassada, mudou de casa e não avisou, tentar corrigir alguns trabalhos, quase sempre interrompidos de dois em dois minutos, que está ali outro aluno que lhe quer dar uma palavrinha, pronto! fica tudo para fazer em casa… trabalhos que nunca ninguém vê… Começou o ano de 2008, como quem começa o ano lectivo, tal foi a catadupa de legislação que começou a chegar à Escola… nem tempo havia para ler tanta informação nova , quanto mais processá-la ( todo o trabalho já em curso – somos professores, também as aulas continuaram sempre!!!) , reuniões para tudo e mais alguma coisa, muitas perguntas, poucas respostas, a trabalhar no arame, a tentar adivinhar as entrelinhas, à espera de regulamentação de outros pontos, o esclarecimento de aqueloutros… Novo Estatuto do Aluno ( nem consigo perceber como Pais e Alunos aceitam certas propostas), Gestão das Escolas e, entre outros, a Avaliação de Desempenho… e, sobre esta, várias perguntas sem resposta, perguntas apenas ao correr da pena sem me debruçar profundamente sobre o documento, que isso dava para um tratado de filosofia barato:
1) formação dos avaliadores – alguém pensou nisso? ( Alguns avaliadores nem sequer “passaram” por um estágio clássico nem sequer tiveram nunca uma aula “assistida” nem sabem a sensação anómala que produz um observador numa sala de aula a professores e alunos, por exemplo;
2) Os avaliadores/avaliados, em muitas Escolas amigos desde sempre ou vivendo em “cordiais” inimizades vão avaliar-se uns aos outros em anos sucessivos? Não existem conflitos de interesses?
3) O timing para ser lançado tal documento é “perfeito” _ andam os Professores “lançados” na preparação ( falo nos de Língua Portuguesa e Matemática em particular) dos seus alunos para Provas de Aferição, Provas Intermédias, Exames ( a preparação não se faz de véspera… digo eu…)
4) As regras de observação – parece ser à vontade do freguês, rezando todos para que haja bom senso;
5) Horários/ calendários – reformulam-se horários? Faltam os avaliadores às suas aulas? Quem os substitui? Os pais consideram estas substituições correctas e justas para os seus filhos?
6) Os Projectos Educativos, Regulamentos Internos, Projectos Curriculares de Turma terão/teriam que ser reformulados à luz das novas regras – há tempo útil para tudo?
7) E o tempo ainda para analisar documentos , produzir instrumentos de avaliação/indicadores de medida o mais objectivos possível , preencher as fichas inerentes, em consenso com os colegas da Escola ( ou pensam agir sozinhos?) , esperar por recomendações superiores que chegam “às pinguinhas”, proceder às entrevistas de avaliadores e avaliados???
8) A nível individual, rezar , rezar muito para que as turmas atribuídas ( este ano , para o ano , para os seguintes) sejam formadas por alunos muito estudiosos , bem comportados e empenhados ( também se pode ter um outro alunos com mais dificuldades que se vai progressivamente avaliando com melhorias…não tem nada que saber!!!)
9) Esperar por um milagre para que o rapazinho ou rapariguinha que nunca vai à Escola e já está a trabalhar (?) – sou crente pronto-, apareça este ano …
10) E , para terminar rapidamente, embora ainda fique muito por dizer, não esquecer de arranjar tempo para formação contínua… ( aos sábados? ) dinamizar projectos e – NUNCA esquecer – continuar a preparar as aulas e leccioná-las e mostrar bom humor e óptima relação com os alunos, mesmo que…
E, apesar de tudo isto, enquanto alguns colegas se desorientavam, eu mantive-me relativamente calma ( sempre na esperança de que o tal bom senso prevalecesse… ) até à passada quarta-feira: dia de trabalho com alunos, sem alunos, com papéis , com etiquetas, com arrumações de armários, Pedagógico às dezassete horas … até às vinte e três e trinta ( então a dita reunião não tem regimento, não tem horas para duração ? tem , sim senhores, mas todos os assuntos eram tão urgentes, tão urgentes, só mais um bocadinho, só mais um bocadinho, e deu que deu…). Nem falo do cansaço físico, nem da noite sem dormir, nem do desânimo, nem da amargura, nem do abandono que sentem as nossas famílias … No dia seguinte, tive conhecimento do comunicado do ME, a propósito do Novo Estatuto do Aluno, tão aparentemente directo, mas cheio de rodeios . Afinal, essa Lei 3 estava em vigor, mas não estava, porque, se o Regulamento Interno das Escolas ainda não contemplasse essas novas regras, ( como podia? Só se os professores fossem adivinhos? E a meio do ano lectivo? Mudança de regras, é preciso avisar alunos e Pais …) continuaria a vigorar o Decreto 30 ( antes da Republicação) … Foi então que desmoronei, e chorei, como já vira outras colegas chorar, não por causa do trabalho a mais, burocrático, inútil, fora de tempo, nem por regras a meio do ano, nem pela família “abandonada”, nem pela sensação de que tudo tem de se recomeçar, mas pela humilhação, , pela desfaçatez, pela falta de rigor e de sentido comum, pelo desrespeito que revela pelos professores cada um destes passos…
Alexandrina Pinto
Professora de Língua Portuguesa do 2º ciclo, pelo 35º ano
também publicado em http://www.educar.wordpress.com/
Nada contava do que se passara nos anos anteriores ( vinte e cinco ou mais), nem a passagem pelo Conselho Directivo, nem pelo Conselho Pedagógico anos e anos como Delegate de Disciplina, nem como Director de Turma... Nem contava nonhuman actividade que dinamizáramos e em que colaborámos - outros trabalharam muito mais que eu - ( por exemplo, Visitas de Estudo, Feiras do Livro, Exposições, publicação do jornal, publicação de um livro de textos e poemas dos alunos - para o qual andei a pedinchar o dinheirinho de porta em porta como uma triste e "pobre de pedir"- Encontros com Escritores ( noutro dia, vi-me tão antiga que ainda me lembro de ver lá na Escola a Odette de Saint-Maurice !!!), o Dia do Francês com cantorias e danças e já nem me lembro do resto... Tudo fora do horário, evidentemente… Nem contava cada ano em que nem dera uma única falta ...
Quiseram pura e simplesmente apagar a minha vida profissional de uma penada... e, se calhar, como acreditavam que já andava muito motivada, ainda queriam humilhar-me mais e fazer-me crer a mim que nunca fizera nada e que não valia nada... mas estavam enganados, – escrevia eu - porque a minha consciência do trabalho com os meus alunos valia/vale(?) mais que um cargo estupidamente chamado titular e, embora me apetecesse chorar de raiva, não o ia fazer...
Andava eu estoicamente ( e não ando sozinha está bem de ver) a cumprir tanta burocracia e papelada em dias em que , por acaso lecciono noventa minutos de aula, elaborar planos disto e daquilo, relatórios deste e daquele plano, convocar os Pais e ficar com uma cópia da convocatória, convocá-los por telefone e registar esse passo por escrito, enviar informações, registar informações, verificar faltas, verificar se os alunos as justificam, elaborar sínteses disto e daquilo, arquivar todos os papéis sem falhar, precisava de um “guarda-livros” competente, chamar um aluno, verificar se ele come a sopa na cantina , se vai ao Apoio Directo, afinal a direcção do pai está ultrapassada, mudou de casa e não avisou, tentar corrigir alguns trabalhos, quase sempre interrompidos de dois em dois minutos, que está ali outro aluno que lhe quer dar uma palavrinha, pronto! fica tudo para fazer em casa… trabalhos que nunca ninguém vê… Começou o ano de 2008, como quem começa o ano lectivo, tal foi a catadupa de legislação que começou a chegar à Escola… nem tempo havia para ler tanta informação nova , quanto mais processá-la ( todo o trabalho já em curso – somos professores, também as aulas continuaram sempre!!!) , reuniões para tudo e mais alguma coisa, muitas perguntas, poucas respostas, a trabalhar no arame, a tentar adivinhar as entrelinhas, à espera de regulamentação de outros pontos, o esclarecimento de aqueloutros… Novo Estatuto do Aluno ( nem consigo perceber como Pais e Alunos aceitam certas propostas), Gestão das Escolas e, entre outros, a Avaliação de Desempenho… e, sobre esta, várias perguntas sem resposta, perguntas apenas ao correr da pena sem me debruçar profundamente sobre o documento, que isso dava para um tratado de filosofia barato:
1) formação dos avaliadores – alguém pensou nisso? ( Alguns avaliadores nem sequer “passaram” por um estágio clássico nem sequer tiveram nunca uma aula “assistida” nem sabem a sensação anómala que produz um observador numa sala de aula a professores e alunos, por exemplo;
2) Os avaliadores/avaliados, em muitas Escolas amigos desde sempre ou vivendo em “cordiais” inimizades vão avaliar-se uns aos outros em anos sucessivos? Não existem conflitos de interesses?
3) O timing para ser lançado tal documento é “perfeito” _ andam os Professores “lançados” na preparação ( falo nos de Língua Portuguesa e Matemática em particular) dos seus alunos para Provas de Aferição, Provas Intermédias, Exames ( a preparação não se faz de véspera… digo eu…)
4) As regras de observação – parece ser à vontade do freguês, rezando todos para que haja bom senso;
5) Horários/ calendários – reformulam-se horários? Faltam os avaliadores às suas aulas? Quem os substitui? Os pais consideram estas substituições correctas e justas para os seus filhos?
6) Os Projectos Educativos, Regulamentos Internos, Projectos Curriculares de Turma terão/teriam que ser reformulados à luz das novas regras – há tempo útil para tudo?
7) E o tempo ainda para analisar documentos , produzir instrumentos de avaliação/indicadores de medida o mais objectivos possível , preencher as fichas inerentes, em consenso com os colegas da Escola ( ou pensam agir sozinhos?) , esperar por recomendações superiores que chegam “às pinguinhas”, proceder às entrevistas de avaliadores e avaliados???
8) A nível individual, rezar , rezar muito para que as turmas atribuídas ( este ano , para o ano , para os seguintes) sejam formadas por alunos muito estudiosos , bem comportados e empenhados ( também se pode ter um outro alunos com mais dificuldades que se vai progressivamente avaliando com melhorias…não tem nada que saber!!!)
9) Esperar por um milagre para que o rapazinho ou rapariguinha que nunca vai à Escola e já está a trabalhar (?) – sou crente pronto-, apareça este ano …
10) E , para terminar rapidamente, embora ainda fique muito por dizer, não esquecer de arranjar tempo para formação contínua… ( aos sábados? ) dinamizar projectos e – NUNCA esquecer – continuar a preparar as aulas e leccioná-las e mostrar bom humor e óptima relação com os alunos, mesmo que…
E, apesar de tudo isto, enquanto alguns colegas se desorientavam, eu mantive-me relativamente calma ( sempre na esperança de que o tal bom senso prevalecesse… ) até à passada quarta-feira: dia de trabalho com alunos, sem alunos, com papéis , com etiquetas, com arrumações de armários, Pedagógico às dezassete horas … até às vinte e três e trinta ( então a dita reunião não tem regimento, não tem horas para duração ? tem , sim senhores, mas todos os assuntos eram tão urgentes, tão urgentes, só mais um bocadinho, só mais um bocadinho, e deu que deu…). Nem falo do cansaço físico, nem da noite sem dormir, nem do desânimo, nem da amargura, nem do abandono que sentem as nossas famílias … No dia seguinte, tive conhecimento do comunicado do ME, a propósito do Novo Estatuto do Aluno, tão aparentemente directo, mas cheio de rodeios . Afinal, essa Lei 3 estava em vigor, mas não estava, porque, se o Regulamento Interno das Escolas ainda não contemplasse essas novas regras, ( como podia? Só se os professores fossem adivinhos? E a meio do ano lectivo? Mudança de regras, é preciso avisar alunos e Pais …) continuaria a vigorar o Decreto 30 ( antes da Republicação) … Foi então que desmoronei, e chorei, como já vira outras colegas chorar, não por causa do trabalho a mais, burocrático, inútil, fora de tempo, nem por regras a meio do ano, nem pela família “abandonada”, nem pela sensação de que tudo tem de se recomeçar, mas pela humilhação, , pela desfaçatez, pela falta de rigor e de sentido comum, pelo desrespeito que revela pelos professores cada um destes passos…
Alexandrina Pinto
Professora de Língua Portuguesa do 2º ciclo, pelo 35º ano
também publicado em http://www.educar.wordpress.com/
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