quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Assim vai a vida... dos velhos!



Centro de Saúde X

Para marcar uma consulta para os utentes da Aldeia Y ( atingida pelos incêndios deste Agosto, portanto, além de não haver, durante algum tempo, linha telefónica e sem  acesso ao sistema – seja lá o que isso for - e tal, está de baixa a pessoa que faz as marcações e dá apoio ao médico):

- Ah não posso, não tenho agenda. Tem que vir dia tal – o dia da consulta – que só começamos a marcar as consultas às 11 e 30 desse dia.

( Nota: As consultas começam às 14h)

- Não tem agenda? 

- Agenda no sistema! (sorri-se meio a zombar da ignorância dos pacóvios que não sabem que só há as agendas do sistema!)

- E não há uma folha de papel, onde se possam começar a anotar as marcações?

- (Agora o riso é mesmo às claras…) Não, só na agenda e essa aldeia ainda não tem cá agenda.

                Entretanto, já tinham sido passados dois recibos num quarto de folha A4, recibos que foram cortados diligentemente da folha A4, ficando o recibo no quarto da folha A4. 

Para onde tinha ido o resto da folha A4?

                Amachucado diligentemente, tinha ido parar ao cesto dos papéis.

                Só me apeteceu dizer: podia pegar num desses ¾ da folha A4 e ir anotando o pedido das consultas. 
                Mas a pessoa ia explicando:
- Tem que vir cá amanhã às 11 e meia. A essa hora começamos a marcar as consultas.

                E lá ficou a pessoa com um sorriso do tipo: não vês que não há outra alternativa, estúpido?

                Isto já ocorre desde 15 de Agosto e ainda não houve ninguém que percebesse que era preciso tomar outras medidas para as consultas destas pessoas, na maioria idosas. E, como não há outras ordens, os pequenos poderes regalam-se com esta dependência deles e do sistema que só eles conhecem. E, como estamos em eleições e os presidentes da Junta estão no limbo, ninguém se mexe a exigir respeito por estas pessoas. E, ainda em 2013, as pessoas, sobretudo as mais velhas, as mais vulneráveis, passam a vida a lutar por cada um dos seus direitos, como se continuassem a não os ter.

NOTA: Apesar de ter presenciado isto, não fui autorizada pela pessoa que acompanhei a divulgar nem nomes de lugares nem de aldeia. Porquê? Medo de represálias, para o caso de precisarem de marcar mais consultas - aquele medo do "antigamente" - e porque as pessoas são todas conhecidas umas das outras e não querem criar confusões! 
              E assim vai a vida!

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