terça-feira, 23 de setembro de 2008

A verdade na boca das crianças...

O jornalista em estúdio na RTP bem quis que a menina dissesse que o Magalhães lhe ia ser muito útil na Escola para aprender... mas ela só se interessou pelo jógo...

3000 espalhados por uma série de Escolas - "programa que não é suportado por dinheiros públicos" - e é o milagre: tudo se aprende de uma penada. Como é que ninguém se tinha lembrado de uma coisa destas mais cedo???

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Notícias da Educação

Notícia do Sol:
"Sócrates anuncia chegada do 'Magalhães' O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou hoje, em Lousada, que os primeiros computadores portáteis Magalhães vão ser entregues terça-feira em 16 escolas do primeiro ciclo do ensino básico"

e ainda:

"Passar todos os alunos do nono ano é objectivo do Governo A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, afirmou hoje, em Lousada, que um dos objectivos da sua equipa é alcançar nos próximos anos 100 por cento de aprovações no final do nono ano de escolaridade" ( o sublinhado é meu)

Não tenho perguntas, nem comentários... enfim, nem palavras!!! Fiquei muda! ...

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Na Escola d'Ana Maria

Na escola d’Ana Maria
Já não há paz nem alegria:
Há vaidade e presunção
Há soberba e inquisição
E pura demagogia!

Na escola d’Ana Maria
Morreu a harmonia!

Na escola d’Ana Maria
Reina a burocracia:
Há papéis e papelões
Relatórios e avaliações
E portefólios de fantasia!

Na escola d’Ana Maria
Morreu a pedagogia!

Na escola d’Ana Maria
Grassa a autocracia:
Há chuva de normativos
Há órgãos deliberativos
Há avisos e editais
Há actos eleitorais
Mas quem manda é o ditador!,

Na escola d’Ana Maria
Morreu a Democracia!

Luís Costa

Não é por medo... é a nortada que é fria e desabrida!

Lamentamos, mas o blogue em dardomeu.blogspot.com foi removido. Este endereço não é válido para blogues novos.

O mesmo aconteceu com o blog Daescola.

O democracia na Escola reabriu...http://www.democraciaemportugal.blogspot.com/

Dizem que não é por medo, dizem que recebem recados, dizem que é falta de tempo, dizem...
De repente, porque será?

Outros posts e comentários aqui

http://www.profblog.org/2008/09/blogs-de-professores-encerrados-norte.html


http://www.profblog.org/2008/09/blogs-de-professores-encerrados-norte.html


segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Opinião de Maria do Carmo Vieira

Nós já tínhamos dito e repetido muitas das "coisas" aqui enunciadas, mas não publicamos em nenhum órgão de comunicação com visibilidade, por isso este artigo é de leitura obrigatória ( chegou aqui via blogue do paulo Guinote que fez o favor de partilhar no sítio do costume)

http://educar.wordpress.com/2008/09/14/maria-do-carmo-vieira-no-noticias-magazine-2/


Breves comentários:
No “antigamente” não saber ler era bom para os governos, não se lia, não se pensava.
Agora, lê-se , mas não se interpreta, não se compreende, não se desenvolve o espírito crítico; daí à fácil manipulação, quantos passos são? Sim, digam que é demagogia… digam!
Isso interessa a quem?
E a quem interessa que as crianças, adolescentes e jovens tenham o tempo todo tão organizado que nem tempo há para pensar? Nem para brincar? E, quando têm tempo livre até se sentem perdidos!!!...
Por que razão os pais aceitam que o Estado tome conta dos seus filhos de manhã à noite ? E lhes digam o que pensar e como???
A quem interessa este estado das coisas?

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Os números da ministra, os da OCDE e o dia-a-dia da escola - José Manuel Fernandes

«(...) professores que viveram um ano conturbado e de contestação conseguiram o milagre de estarem fortemente motivados para alcançar os objectivos com mais sucesso.(...)


(...) Existindo um paradoxo, tem de existir uma explicação. A primeira seria estarmos perante uma geração de alunos mais motivadae mais interessada na aprendizagem e no sucesso. Seria óptimo se fosse verdade, mas é falsa: a maioria dos alunos são os mesmos do ano passado, só que um ano mais velhos. (...)


A segunda explicação (...): há instruções para chumbar menos alunos, houve exames mais fáceis e aumentou-se tanto a burocracia que é quase preciso ser um herói para, como se diz em eduquês, "reter" uma criança ou um adolescente.(...)


Eu retenho estas frases de José Manuel Fernandes, no Editorial de hoje, 10 de Setembro de 2008 in Público, sem mais comentários.


terça-feira, 9 de setembro de 2008

Grelhas e registos

Estou a entrar no meu 36º ano de serviço que vai ser o último e, se não tivesse já tomado a decisão , todas as grelhas mais os registos todos possíveis e impossíveis , de fichas dos alunos dos testes diagnósticos, das fichas formativas, da avaliação sumativa, isto para falar apenas dos registos mais visíveis, como se os alunos fossem materiais e nós os contabilistas, explique-me alguém onde há disponibilidade de tempo e de espírito para o essencial - para conhecer e aprofundar o conhecimento dos alunos de uma turma, e lugar para ensinar e aprender com os alunos? E família , alguém tem família???

Começam agora as aulas e eu, em vez de andar a programar o encontro com os meus alunos, com alegria e entusiamo, ando já atolada em papéis e previsão de registos.

Assaltou-me também uma dúvida lancinante: se, nos meus objectivos individuais de uma turma de 20 alunos , previr manter , pelo menos o sucesso da Escola , lá pelos 96 %, nunca poderei à partida atribuir uma nota "negativa", que a turma fica logo com insucesso de 5%, superior ao da Escola... Conclusão? E assim se produz o sucesso!...

domingo, 7 de setembro de 2008

Carta de António Morais, professor

Estava para dizer algo mais sobre a carta deste colega, mas tudo o que pudesse acrescentar, estaria mesmo a mais... Vale a pena ler!...e reflectir!



quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Educação e propaganda: modo de usar - Paulo Guinote

Se ainda não leu hoje o Público ( 3 de Setembro), ou a sua leitura ainda não chegou ao Espaço Público, não se apercebeu que o nosso colega Paulo Guinote, ( professor do 2º ciclo, doutorado em História da Educação) autor do blogue Educação do meu Umbigo (http://www.educar.wordpress.com/) , um dos mais lidos na área da Educação e comentado, escreveu, com a clareza habitual, este artigo "Educação e propaganda: modo de usar"...
Para reflexão!...









segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Início do ano lectivo

Fui professor durante 37 anos na Escola P. Francisco Soares de Torres Vedras e reformei-me em Janeiro passado.Hoje, dia 1 de Setembro, senti necessidade de voltar à escola para dar um abraço solidário aos meus colegas.
Num expositor da Sala de Professores deixei este texto, que partilho agora com o grupo mais alargado dos leitores deste blogue, cujo mérito tenho divulgado sempre que posso.

CARTA ABERTA AOS MEUS COLEGAS PROFESSORES
Pela primeira vez em muitos anos não retomo a actividade docente no início do ano lectivo. Mas não o lamento e é isso que me dói. Sempre disse que queria ficar na escola mais alguns anos para além do tempo da reforma, desde que tivesse condições de saúde para tal. Contudo, vi-me “obrigado” a sair mais cedo, inclusivé aceitando uma penalização de 4,5% sobre o vencimento.
Não sou protagonista de nada: o meu caso é apenas mais um no meio de milhares de professores a quem este Governo afrontou. Só quem não conhece as escolas e tem uma ideia errada da função docente é que não entende isto.
É doloroso ouvir pessoas que sempre deram o máximo pela sua profissão, que amam o ensino e têm uma ligação profunda com os alunos, a dizerem que estão exaustas e que lamentam não serem mais velhas para poderem reformar-se já. Vejo com enorme tristeza estes colegas a entrarem no ano lectivo como quem vai para um exílio. Compreendo-os bem…Este estado de coisas tem responsáveis: são a equipa do Ministério da Educação e o Primeiro-ministro.A eles se deve a criação de um enorme factor de desestabilização e conflito nas escolas que é a divisão artificial da carreira docente entre “professores titulares” e os outros que o não são. Todos fazem o mesmo, a todos são pedidas as mesmas responsabilidades, mas estão em patamares diferentes, definidos segundo critérios arbitrários.A eles se deve um sistema de avaliação de desempenho que não é mais do que a extensão administrativa daquele erro colossal.A eles se deve a legislação que não reforça a autoridade dos professores na escola, antes os transforma em burocratas ao serviço de encarregados de educação a quem não se pedem responsabilidades e de alunos a quem não se exige que estudem e tenham sucesso por mérito próprio.
No ano passado 100 000 mil professores na rua mostraram que não se conformavam com este estado de coisas. O Governo tremeu. Mas os Sindicatos de professores não souberam gerir esta revolta legítima. Ocupados por gente que não dá aulas, funcionalizados e alienados pelo sistema, apressaram-se a assinar um acordo que nada resolveu, antes adiou um problema que vai inquinar o ano lectivo que hoje começa.
Todos os que podem estão a vir-se embora das escolas, é a debandada geral. Gente com a experiência e a formação profissional de muitos anos, que ainda podiam dar tanto ao ensino, retiram-se desgostosos, desiludidos, magoados. Deixaram de acreditar que a sua presença era importante e bateram com a porta. O Governo não se importa, nada faz para os segurar: eram gente que tinha espírito crítico e resistia. «Que se vão embora, não fazem cá falta nenhuma!»
Não, não tenho pena de não voltar à escola. Pelo contrário: entro em Setembro com um enorme alívio. Mas não me sinto bem. Estou profundamente solidário com os meus colegas de profissão e tenho a estranha sensação de que os abandonei, embora saiba quanto isso é pretensioso da minha parte. Vejo com apreensão e desgosto que, trinta e sete anos depois de começar a ser professor, a escola não está melhor.Sim, regressarei hoje à escola. Mas só para dar um imenso abraço àqueles que, corajosamente, como professores no activo, enfrentam um novo ano lectivo.

Torres Vedras, 1 de Setembro de 2008

Joaquim Moedas Duarte

( via http://www.educar.wordpress.com/ o testemunho de um professor , sentimento de muitos ... e também se pode ler aqui http://aorodardotempo.blogspot.com/)