sábado, 29 de novembro de 2008

GREVE - apelo (ainda) actual



Apelo ( ainda actual)

à greve
pela dignidade
da profissão
contra a humilhação

quando cai neve

na Guarda





Neste fim de semana de Outubro de 2006, tenho dificuldade em conciliar o sono. Como que estar desperta seja imperioso. Como que não dormir seja uma metáfora da urgência de estar alerta face a um perigo que, com a técnica bélica do círculo, me sitia.

Há dias, numa conversa na sala dos professores,
-“Estamos quase como no tempo do fascismo.” - disse um colega.
- “É ao quase que eu me agarro.” - respondeu o outro.
E foi aí que nasceu a vontade deste texto emocionado e visceral. Porque, se nos faltar o quase, vai faltar-nos tudo. E aí ter-se-á perdido o momento, a hipótese, a maré. E, como sabemos, perder perde-se num ápice. Só a conquista se conquista, claro está. Pela vontade, pelo esforço, pela audácia. De bens, de sonhos, de infinito ou de consideração. Ora, hoje, é verdadeiramente urgente a reconquista do respeito, porque nosso direitíssimo é. E é, por isso mesmo, que este texto me saiu apelo!

É que, neste caso, o perigo, que nos ronda à laia de predador, não é nem reptiliano nem astuto e, por isso, não exige de nós nem sageza nem perspicácia. Há afrontas tão sumamente audíveis, tão brutalmente concretas que só os homens distraídos ou suicidas deixam para outros amanhãs a reacção. Mesmo que a arma que se tenha à mão seja unicamente o protesto e a revolta. Mesmo que pareça que estamos aprisionados e as nossas magoadas razões não se ouvem para lá das paredes dos ouvidos surdos. Mesmo que. Porque, se a nossa queixa se fizer em uníssono, o som formará ondas de choque que as moucas paredes sentirão.


Tudo se alicerça na dignidade, me ensinaram. Tudo se alicerça na dignidade, ensinei eu. Não é agora, quando a indignação é o único caminho para me manter gente, que vou perder a decência a meus olhos e aos olhos do meu filho. Vale a pena o esforço se me sentir inteira. E, quando é de inteireza que se trata, nenhuma justificação se justifica para deixar de agir.



Etelvina Maria
15 de Outubro de 2006

1 comentário:

Vieira Calado disse...

Dignidade é coisas que os nossos governantes não têm.
Só pensam neles e nos amigos.

Força, professores! - (que eu já fui, e sei o que é).