domingo, 21 de dezembro de 2008

Declarações de Paulo Guinote ao Semanário Sol

O recuo em pontos como a ponderação dos resultados escolares dos alunos na avaliação dos professores (até considerada essencial pelo Governo) traduz-se em seu entender numa descaracterização do modelo do Ministério?
Sim, para mim neste momento, para além do aparato burocrático que ainda permanece, do modelo original do ME já desapareceu parte essencial da substâncias. Aliás, considero mesmo que o DR só não foi revogado por pura teimosia e receio de isso ser considerado pela opiniãp pública como uma derrota completa.

O que é que resta desse modelo, depois das simplificações anunciadas para este ano lectivo e da anunciada disponibilidade do Governo para o rever no próximo ano?
Resta principalmente um sistema de avaliação ainda carregado de formalismo e que, de vez, deixou de conter alguns dos seus elementos emblemáticos iniciais. Para além de disso, para ser exequível, acabou por prescindir, se os docentes assim o pretenderem, da avaliação mais importante, a da componente científico-pedagógica. Esta última medida de simplificação, aliada às novas regras de delegação de competências dos avaliadores, é uma admissão implícita do erro que marcou o modelo desde o início, ou seja, das regras do concurso para professor-titular.
Faz sentido, depois destas simplificações e de haver excepções para a avaliação (caso dos professores em condições para pedir a reforma até 2011 e dos professores das áreas técnicas e profissionais), continuar a falar num modelo de avaliação como se ele estivesse intacto?
Não faz sentido algum. É minha convicção que neste momento o modelo de avaliação deixou de existir enquanto tal. É um mero simulacro, do qual resta a parte acessória. Afirmar que o modelo existe só interessa a quem tenha interesse político em fazer-nos acreditar nessa ficção..
O anúncio destas situações de excepção para alguns professores, do aumento dos suplementos remuneratórios dos dirigentes escolares e da criação de «alguns milhares de vagas» para professores contratados pode criar divisões entre a classe docente? Será essa a estratégia do Governo?
Não penso que essas medidas alterem significativamente a posição de muitos docentes. A estratégia de divisão do Governo passa por aí, mas essas medidas apenas visam dar algo a quem tem como obrigação hierárquica implementar o modelo de avaliação (dirigentes) e fazer entrar nos quadros mão-de-obra barata para substituir os muitos milhares de professores que se têm aposentado.

in
http://educar.wordpress.com/2008/12/21/nao-combinamos-nada/

Entretanto,
Professores entregam segunda-feira maior abaixo assinado de sempre
A Plataforma Sindical de Professores entrega segunda-feira no Ministério da Educação (ME) «o maior abaixo-assinado de sempre» de docentes, a exigir a suspensão do processo de avaliação de desempenho e o fim da divisão da carreira em duas categorias
( sol -sapo- online)

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